Robôs: com qual se sente mais à vontade para viver lado a lado?

Mais uma história interessante sobre robôs, na qual vale a pena reflectir um bocadinho.

Basta que duas empresas de robótica tenham posições e opiniões distintas sobre aquilo que resulta(rá) no mercado, e que desenvolvam trabalhos e produtos nesse sentido. A sociedade em geral, mantém-se calada, ou na maioria, agnóstica de opinião. Este assunto parece não ser relevante porque se trata do presente, mas ao ritmo que a tecnologia evolui, será que não devíamos começar a levantar questões?

Estamos preparados para trabalhar lado a lado com um robô que se assemelha exactamente como nós? Em cada esquina, por todo o lado; ao longe já nem reconhecemos se é um robô a trabalhar na portaria de um prédio ou uma pessoa mesmo – será isto natural? É simplesmente a evolução (natural) das coisas? Dependerá da nossa cultura; teremos nós, ocidentais, um pequeno complexo com a tecnologia demasiado realista?

Vejamos o que anda a indústria a fazer.

Toshiba e o robô mais humano de sempre: Chihira Kanae

A Toshiba parece apostar forte em tornar os robôs o mais parecidos com a figura humana.

Na última feira de turismo em Berlin, a IBT, apresentou ao mundo a última geração do robô Chihira, em que o objectivo era que se afigura-se o mais humano possível. O sistema de controlo de movimentos foi actualizado para que os movimentos sejam mais suaves e naturais, e não tão robóticos.

Fonte: getty images
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Melhoraram o software e o hardware para melhorar o sistema de pressão de ar. Uma vez que o sistema de ar é instável, os movimentos do robô são afectados por vibrações. “Assim, se o fluxo de ar é bem controlado, os seus movimentos são mais suaves”, referiu Hitoshi Tokuda, da Toshiba, em entrevista à BBC.

O robô foi até “actualizado” com a língua alemã, e tal como as versões anteriores, consegue interpretar e responder a pedidos feitos em inglês, japonês, chinês, e até utilizar linguagem gestual. Podem acrescentar outra língua que queiram.

Sector do turismo

A Toshiba apresentou este novo robô nesta feira para destacar as possibilidades do mesmo em termos de produto viável para a indústria do turismo. Poderá ser instalado num balcão de informações, onde responde a perguntas sobre uma conferência ou outro evento.

O novo auxiliar no lar de idosos

Tokuda acrescenta, “criámos a Chihira Kanae para ter uma aparência humana, principalmente para a geração mais velha, que acha este ‘look’ mais acolhedor e acessível”. Uma das funções deste tipo de robôs será no sector de saúde, em cuidados a pessoas mais idosas.

Nós encontrámos pessoas que preferem falar com um android de comunicação humanóide, pois podem fazer-lhes perguntas quantas vezes precisam, sem se sentirem constrangidos ou estranhos. – Tokuda

O desconforto visível

No entanto, peritos já alertam que a aparência demasiado realista não será o mais adequado para um público mais ocidental, já que é a primeira vez que o robô é apresentado fora do Japão – onde foi apresentado o mês passado. E acrescentam que tem vindo a surgir uma grande divisão na opinião pública, se os robôs devem ou não assemelhar-se a nós.

Como robô, é muito bom, mas ainda tem um ligeiro ar de psycho killer. Pessoalmente, eu prefiro sempre saber que estou a lidar com um robô em vez de ser enganado por uma máquina. É uma questão de confiança. – Prof. Sharkey

O perito refere ainda que em estudos efectuados no Japão e nos Estados Unidos, sugeriam que os japoneses querem mesmo robôs que sejam indistinguíveis das pessoas, enquanto que nos Estados Unidos e ocidente em geral, as pessoas preferem saber que estão a lidar com um robô.

IBM e o robô no hotel Hilton

Contrastando com a abordagem da Toshiba está o IBM e o hotel Hilton.

Eles implementaram um robô que proporciona informações sobre atracções locais aos hóspedes no Hilton em Virgínia.

A máquina usa software de inteligência artificial Watson da IBM para fazer suas recomendações.

Fonte: IBM
Fonte: IBM

E então? Partilha da opinião dos japoneses? Ou por outro lado, quer as coisas bem definidas?

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