A Inteligência Artificial traz felicidade ou é uma ilusão?

Após ter conhecimento de uma carta aberta chamada ELLIS (European Lab for Learning and Intelligent Systems) fiquei com uma série de dúvidas acerca da utilização ou não da Inteligência Artificial. É certo que cada vez mais a utilizamos, desde simples a coisas complexas, ela está presente no nosso dia a dia, a toda a hora e nós nem damos conta. Mas será que este progresso traz felicidade?

A Inteligência Artificial traz felicidade ou é uma ilusão?

A carta ELLIS tem como objetivo empregar centenas de cientistas que coloquem a Europa na liderança da investigação na IA, hoje detida pelos EUA e pela China. Com ela, eles pretendem ficar com os melhores cientistas para que se possam colocar no topo do mundo.

Ao mesmo tempo que surge a carta ELLIS, a Comissão Europeia apresentou uma série de medidas “com o objetivo de colocar a IA ao serviço dos cidadãos europeus e de estimular a competitividade da Europa neste domínio”, o que passa por “aumentar o investimento público e privado, preparar as mudanças socioeconómicas e garantir um quadro ético e jurídico adequado”. O comissário do Mercado Único Digital, Andrus Ansip, afirmou que a Europa precisa “de investir pelo menos €20 mil milhões até ao final de 2020”.

Até aqui tudo bem. Mas o facto é que a inteligência artificial já avançou de tal forma que existem empresas a recrutar pessoas utilizando software que exclui automaticamente pessoas apenas e só apenas pela sua morada ou cor de pele. Se a morada for de um bairro problemático ou menos favorável ou se a sua tonalidade da pele não se enquandrar com aquele que a empresa pretende, o seu curriculo é automáticamente enviado para o lixo e nem sequer terá chance de ir a uma entrevista.

A Inteligência Artificial pode ser muito bonita, mas é impensável colocar um software a cumprir valores éticos e morais para que tome as decisões mais corretas no meio da sociedade. O leitor acha justo que se deixe de parte uma pessoa só porque a sua cor de pele não é a que a empresa pretende? Até pode ter um QI excelente, uma média de fim de curso de 20, se a tonalidade da pele não corresponder, o software exclui e possivelmente alguém ficará com a vaga, mesmo que tenha um QI mais baixo e uma média igualmente mais baixa.

Acredito que a IA seja necessária e essencial para o tratamento da grande quantidade de dados que existem no mundo. Talvez nessa situação se apliquem as condições que são colocadas nas mesmas, pois não são necessárias grandes lições morais ou éticas. Mas colocar a IA no meio da nossa sociedade para fazer exclusões como as que mencionei, penso que não tenha cabimento!

O techemportugues quer também deixar um agradecimento a Luís Moniz Pereira, o português perito em IA mais conhecido a nível mundial, por tentar alertar o mundo para esta situação.

Afinal de contas, ainda somos todos humanos e precisamos de mostrar que as máquinas até podem ser mais rápidas, mas podem não ser mais eficazes. Não há valores que possam superiorizar-se aos valores humanos, por mais que amemos tecnologia.