Bioplástico: Transformar borras de café em plástico

Um bioplástico sustentável, desenvolvido por estudantes de Ovar com recurso a borras de café, folhas secas, bolotas e cascas de tremoço, foi o projeto vencedor da 12.ª Mostra Nacional de Ciência, que terminou este sábado, na Alfândega do Porto.

Bioplástico: Transformar borras de café em plástico

Através do projeto “Bioplástico dá-te vida!”, criado por alunos da Escola Secundária Júlio Dinis, de Ovar, pretende-se combater o desperdício alimentar, recorrendo igualmente aos excedentes de arroz cozido – proveniente da restauração – e a proliferação de plantas invasoras (como a acácia), cujas sementes podem ser incorporadas no bioplástico.

Os resultados obtidos “foram bastante satisfatórios, visto que conseguimos produzir a maioria dos bioplásticos, tendo o amido do arroz se destacado, revelando características de resistência e elasticidade”, indicou o grupo responsável pelo projeto, referido numa comunicação divulgada pela Fundação da Juventude, a entidade promotora da Mostra Nacional de Ciência.

“Realizámos ainda testes de biodegradação e verificámos que o amido de arroz é biodegradável, constituindo uma grande vantagem relativamente ao plástico normal, que é muito prejudicial ao meio ambiente”, acrescentou a equipa, à qual foi atribuído um prémio de 1250 euros.

O segundo lugar, com um prémio de mil euros, foi atribuído a um grupo de estudantes doColégio Planalto, de Lisboa, distinguido por um projeto no âmbito da matemática, sobre teoremas de comutatividade de grupos.

Um projeto para produção de grilo doméstico em Portugal, criado por alunos do Colégio Luso-Francês, do Porto; uma análise de vários acontecimentos astronómicos registados entre setembro de 2015 e agosto de 2017, desenvolvido por uma equipa da Escola Secundária Dona Maria II, de Braga, e um sistema que permite monitorizar crianças ao longo dos diversos espaços das instituições que frequentam, concebido pela Escola Profissional de Felgueiras, foram outros dos projetos premiados.

A 12.ª Mostra Nacional de Ciência reuniu 289 jovens cientistas e 66 professores, de 44 instituições de ensino, que apresentaram 109 projetos, desenvolvidos no âmbito da terra e do ambiente, das ciências sociais, da computação, da biologia, da química, da economia, da matemática, das engenharias, da física e da energia.

O evento, que se realizou pelo segundo ano consecutivo na Alfândega do Porto, é organizado pela Fundação da Juventude desde 2006, com o apoio da Ciência Viva – Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica, entidade responsável pela escolha do júri que avaliou os trabalhos expostos, escolhidos durante a 26.ª edição do Concurso de Jovens Cientistas.

As cinco equipas selecionadas pelo júri receberam prémios monetários, financiados pela Ciência Viva, no valor total de quatro mil euros, tendo sido ainda atribuído um prémio de 400 euros ao professor coordenador do projeto vencedor.

Os vencedores participarão na final europeia do Concurso Europeu para Jovens Cientistas (EUCYS), de 14 a 19 de setembro de 2018 em Dublin (Irlanda), e na Feira Internacional de Ciência e Engenharia (Intel ISEF), de 12 a 17 de maio de 2019, em Phoenix (Estados Unidos).

Além disso, estarão presentes na China Adolescents Science and Technology Innovation Contest (CASTIC), de 14 a 20 agosto de 2018, em Chongqing (China), e no certame Zientzia Azoka, em abril de 2019, no País Basco (Espanha).

Em colaboração com a AJC-Associação Juvenil de Ciência e com a Universidade do Porto, a Fundação da Juventude irá selecionar ainda um dos projetos premiados para participar no 36.º Encontro Juvenil de Ciência, de 21 a 28 de julho de 2018, em Bragança, e atribuirá a outro projeto uma bolsa para uma semana na Universidade Júnior de 2018.

Fonte: [JN]