Parabéns Facebook: a adolescência é mesmo uma dor de cabeça

“Quando lançamos pela primeira vez, esperávamos 400 ou 500 pessoas. Agora estamos com 100 mil pessoas, então quem sabe até onde iremos … Talvez possamos fazer algo fixe. Talvez isto seja a próxima grande ”coisa’”, disse Zuckerberg, em 2004, quando apresentava aquela que viria a ser maior rede social do mundo. Hoje, a rede social está de parabéns.

Parabéns Facebook: a adolescência é mesmo uma dor de cabeça

O pivo, curioso perguntou:

Mas o que é o TheFacebook, exatamente?

E um miúdo de 19 anos, chamado Mark Elliot Zuckerberg respondeu o seguinte na sua primeira entrevista televisiva à CNBC enquanto empreendor:

É uma plataforma online que conecta pessoas das universidades através de uma só rede. Você inscreve-se, faz um perfil sobre si mesmo respondendo a algumas perguntas e inserindo algumas informações, como os seus hobbies, onde estuda, informações de contato, números de telefone, mensagens instantâneas – qualquer coisa que queira partilhar

A plataforma, que tinha como objetivo ”conectar” os estudantes da Universidade Harvard, acabou por explodir e conectou o mundo inteiro numa só rede. Hoje, o CEO da maior rede social a nível mundial, sopra as velas do 15º aniversário juntamente com mais de 2,32 mil milhões de utilizadores – quase um terço da população mundial.

Ao longo de 15 anos, a criação de Zuckerberg tornou-se não só uma revolução na forma de comunicar mas também num verdadeiro fenómeno da cultura pop. Até teve direito a um filme, em 2010, com ”A Rede Social, que tornou célebre a frase “não se chega a 500 milhões de amigos sem se fazer alguns inimigos”. E assim tem sido.

Então, como é que um projeto de dormitório, o Facebook se tornou na empresa mais influente da era da internet?

Na corrida contra os pequenos e os grandes da tech

Até chegar ao topo, Zuckerberg ultrapassou a concorrência.

O primeiro alvo foi o MySpace, que apareceu em 2003 e chegou a ser a maior rede social nos Estados Unidos até ter sido vendida por 580 milhões de dólares, em 2006. Apesar de ainda estar ativa, em 2010 deixou de ser motivo de preocupação para o CEO da gigante que entrava agora numa fase de crescimento notável.

O crescente sucesso chamou a atenção da Google, que em 2011 lançou o que esperava ser a maior rede social do mundo: o Google+.

Ao vincular todos os produtos de consumo do Google numa plataforma online – como o Gmail e YouTube. -, a gigante de tecnologia antecipava conseguir intimidar o Facebook, apenas com base nos números de utilizadores que usavam as várias plataformas do Google. E realmente teve asas para levantar voo, sendo que no seu mês de lançamento mais de 10 milhões de pessoas inscreveram-se. No entanto, o números não se mantiveram e em 2018, o Google+ tinha menos de 7 milhões de utilizadores, o que acabou por fazer com que encerrassem o serviço.

Em 2012, ao mesmo tempo que Facebook atinge o marco dos mil milhões de utilizadores e começa a negociar na bolsa de Wall Street, surgiram várias startups que competiam com a gigante pelo tempo de ecrã das pessoas.

Uma delas foi o Instagram, que cresceu para mais de 50 milhões de utilizadores desde o seu lançamento em 2010. Embora fosse apenas uma fração dos números do Facebook, Zuckerberg identificou-o como uma ameaça, mas uma que veio a ser neutralizada e depois comprada por mil milhões de dólares, no mesmo ano.

A seguir, foi o Snapchat, a app que introduziu o conceito dos stories na era digital.

Em 2013, Zuckerberg fez uma oferta de 3 mil milhões para adquirir a startup que já contava com 100 milhões de utilizadores na altura e tinha registos de continuar a subir. Mas os seus donos recusaram a oferta. Desde então, “Zuck” adotou uma estratégia agressiva para copiar o sucesso do concorrente, que dura até hoje, tanto no Instagram e no Facebook, como também no Whastapp – outra startup que foi comprada por 19,3 mil milhões de dólares em 2014.

Desde este golpe duro, a app amarela entrou numa fase de declínio em pique tanto a nível de utilizadores, como também de colaboradores.

O golpe da privacidade

Depois do escândalo de privacidade do caso Cambridge Analytica ter custado à empresa 645 mil dólares (cerca de 564 mil euros), por violar a lei de proteção de dados de mais de 87 milhões de utilizadores, a pressão por parte de Bruxelas e Washington começou a afetar Zuckerberg. Os danos também foram sentidos nos mercados, com desvalorizações a chegarem aos 6,77%.

O caso trouxe a público o poder que as mensagens que vão ao encontro dos gostos e visões políticas dos utilizadores, no momento certo, podem ter uma forte influência em momentos políticos. Além disso, também as notícias ou as contas falsas, criadas com o intuito de partilhar desinformação ou informações políticas que possam prejudicar ou favorecer candidatos políticos, são motivo de preocupação.

Uma das medidas adotadas pelo Facebook para lutar contra as contas falsas recorre a inteligência artificial. Até novembro de 2018, o Facebook tinha apagado mais de 1,5 mil milhões de contas falsas. Na tentativa de proteger as eleições para o Parlamento Europeu, a rede social anunciou que está a tomar medidas preventivas.

A fase da puberdade: estará o Facebook a morrer?

Chegando agora ao marco da adolescência, depois dos vários soluços, especialistas afirmam que esta longa fase de maturação da empresa vai entrar em declínio em breve. “Após os desafios de 2018, já não é mais elogiado pela sua inovação. O Facebook é demasiado analisado e criticado por todos os seus movimentos”, disse a principal analista da eMarketer, Debra Aho Williamson, numa entrevista ao ”Economic Times” (ET). “O Facebook, aos 15 anos, está a passar pela fase de maturidade. Já não é mais uma empresa iniciante”, concluiu.

Segundo dados do Pew Research Center, válidos para os utlizadores dos Estados Unidos, os jovens entre os 18 e os 29 anos são quem mais dizem ter apagado a aplicação da rede social dos seus smartphones (44%) em 2018. Na Europa, há cada vez menos utilizadores para conquistar também. Hoje, a rede está a perder 8 mil utilizadores por dia, segundo os dados do ”ET”.

Mas Mark Zuckerberg, não respondeu à especulação. Simplesmente garantiu que a empresa “continua a crescer”.

E isso comprovou-se depois de terem sido apresentados os resultados relativos ao último trimestre de 2018 que ficaram acima das expectativas dos analistas de Wall Street. As receitas totais da gigante ascenderam aos 16.914 milhões de dólares, o que, em termos homólogos, representa uma variação positiva de 30%.

Depois dos escândalos, Zukerberg anunciou que o Facebook “alterou fundamentalmente a forma como gerimos a empresa para focar-mo-nos nos maiores problemas sociais e aumentámos os investimentos para construir novas formas para conetar as pessoas”.

No mês de dezembro de 2018, a aplicação registou uma média de 1,52 mil milhões de utilizadores diários, um aumento de 9% face a dezembro de 2017. No total do mês, o número de utilizadores cresceu, em igual período, também 9%, para 2,32 mil milhões de utilizadores mensais.

Para 2019, o empresário de 34 anos tem como prioridade convocar uma série de fóruns públicos sobre como a tecnologia pode servir melhor à sociedade. “Vou me expor mais do que aquilo que me sinto confortável e envolver-me mais em alguns desses debates sobre o futuro, as compensações que enfrentamos e para onde queremos ir”, escreveu Zuckerberg numa publicação na sua rede social.