Viciado em jogos? Então isso é uma perturbação mental

A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou esta segunda-feira que o “vício por jogos de vídeo” foi incluído como uma perturbação do foro mental.

A classificação encontra-se na 11.ª edição do livro “Classificação Internacional de Doenças”. “Não estou a criar um precedente”, disse Vladimir Poznyak, membro do Departamento de Saúde Mental e Abuso de Substâncias da OMS, que propôs o novo diagnóstico ao órgão de decisão daquela organização. Citado pela CNN, Poznyak disse que a OMS seguiu “as tendências, os desenvolvimentos que ocorreram nas populações e no campo profissional”.

Viciado em jogos? Então isso é uma perturbação mental

O membro da OMS disse que o que se espera da nova classificação é que os profissionais e sistemas de saúde estejam mais “atentos à existência desta condição”, ao mesmo tempo que aumenta a possibilidade de que “as pessoas possam receber ajuda apropriada”.

De acordo com Poznyak, existem três grandes características na perturbação causada pelos videojogos. “Uma delas é que o comportamento de jogar tem precedência sobre outras atividades”, explicou.

A segunda característica prima pelo facto de que, “mesmo quando consequências negativas ocorrem, o comportamento continua a aumentar.” Isto significa que o transtorno causado pelo vício do jogo gera um padrão de comportamento “persistente ou recorrente” e de “severidade”.

A terceira característica é que a condição leva a sofrimento significativo e ao prejuízo no funcionamento pessoal, familiar, social, educacional ou ocupacional. “O impacto é real”, disse Poznyak. Pode incluir “padrões de sono perturbados, problemas de dieta e deficiência na atividade física”.

Para ser feito um diagnóstico, o padrão de comportamento negativo tem de durar pelo menos um ano. No entanto, pode haver exceções à regra, quando os sintomas são muito graves.

A maior parte das intervenções e tratamentos para a perturbação causado pelos videojogos são “baseadas em princípios e métodos de terapia comportamental e cognitiva”. Os diferentes apoios que podem ser fornecidos passam por “intervenções psicológicas: apoio social, compreensão da condição e apoio da família”.

Contudo, nem todos os psicólogos concordam que o vício dos videojogo seja digno de ser incluído na “Classificação Internacional de Doenças”. Anthony Bean é um deles.

“É um pouco prematuro rotular isto como um diagnóstico. Sou um clínico e investigador, por isso vejo pessoas que jogam e acreditam estar viciados”. Na experiência de Bean, as pessoas usam os jogos “como um mecanismo para lidar ou com a ansiedade ou com a depressão”.

De acordo com o psicólogo, os critérios usados pela OMS são “demasiado vagos”, por isso diagnosticar uma pessoa com essa doença seria baseado numa “experiência muito subjetiva dos clínicos”.

Anthony Bean não diz que a doença não exista, mas considera que “não é boa ideia seguir com este [diagnóstico]” porque “abre portas para que qualquer coisa possa ser doença”.

A OMS espera que incluir a perturbação na classificação possa estimular o debate e a pesquisa mais aprofundada, bem como a colaboração internacional.

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