Afinal há água em Marte

Investigadores encontraram um vasto depósito de água salgada em estado líquido, com cerca de 20 quilómetros de diâmetro, no pólo sul do planeta Marte. Estudos anteriores encontraram possíveis sinais de água líquida intermitente na superfície marciana, mas este é o primeiro sinal de um corpo de água no planeta nos dias de hoje. No entanto, o clima do planeta esfriou, desde então, devido à fina atmosfera, deixando a maior parte de água presa em forma de gelo, escreve a BBC.

Afinal há água em Marte

A descoberta foi feita com recurso às imagens do Marsis, um radar a bordo do Mars Express. Radares examinam a superfície e a subsuperfície do planeta, enviando um sinal e examinando o que é devolvido.

Nessas imagens, os investigadores descobriram algo incomum. “É possível ver que os reflexos do fundo são mais fortes do que o reflexo da superfície. Isso é o sinal da presença da água”, disse Roberto Orosei, do Instituto Nacional de Astrofísica de Itália.

O radar não foi capaz de determinar a profundidade da camada de água, mas a equipa de cientistas estima que tem, no mínimo, um metro. “Isso qualifica-o como um corpo de água. Não é água derretida entre a rocha e o gelo”, explicou o investigador, acrescentando que é provável que não seja um lago muito grande.

Este princípio de seguir a água é fundamental para a astrobiologia, que é o estudo da vida potencial além da Terra. Os investigadores não descartam a possibilidade de ser encontrado um “depósito biológico”, uma vez que algumas bactérias podem sobreviver a baixas temperaturas e graças a substâncias salinas.

Porém, embora as descobertas sugiram a presença de água em Marte, ainda não pode ser confirmada a existência de vida naquele planeta.

Agora, as características do lago devem ser verificadas. “É necessário que as medidas sejam repetidas noutros lugares para procurar sinais semelhantes”, explicou Matt Balme, da Open University, no Reino Unido. “Talvez isto possa ser o gatilho para uma nova e ambiciosa missão em Marte para perfurar o reservatório subterrâneo, como foi feito nos lagos subglaciais na Antártica”, rematou.

Em 2007, a sonda Mars Express já tinha confirmado a existência de água em Marte, perto do pólo sul. Mais recentemente, em 2015, um estudo publicado na revista “Nature Geoscience” concluiu que as linhas escuras que aparecem sazonalmente na superfície de Marte correspondem a água líquida salobra que flui pelas encostas do planeta.

Estruturas geológicas demonstram que, há muito tempo, água líquida abundava na superfície do planeta vermelho. Num passado remoto, advogam os cientistas, o planeta teve um oceano maior do que o Ártico.